O relacionamento abusivo tem sido um dos tópicos mais discutidos quando falamos sobre as diferentes formas de relações nutridas entre as pessoas hoje em dia.

Não é de espantar que ainda seja uma grande incógnita reconhecer e entender quando se está vivendo um relacionamento abusivo por conta de inúmeras crenças que nos submetemos sobre o que é certo ou o que é errado sobre o assunto.

Neste artigo vamos conversar sobre:

 

A origem do relacionamento abusivo

Talvez você só tenha chegado em casa depois de um longo dia no trabalho. Você só quer um tempo para si e acha que pode se dar esse tempo, mas então me mensagens começam a pipocar no seu celular. O seu relacionamento não vai cem por cento bem, porque tem algo que te cansa. Há um excesso, ou melhor… Vários tipos de excesso.

Nem sempre você sabe o que fazer, porque está cansadx demais para argumentar. As vezes que você tentou fazer isso não deram muito certo. No fundo você sente que falta um pouco de compreensão, mas ainda mais fundo você sente que falta um tanto de liberdade. Exatamente como agora onde você apenas está tentando relaxar, mas as mensagens tocam te pedindo satisfação imediata do que está fazendo e onde está.

Esse é apenas um dos casos onde você pode encontrar o relacionamento abusivo. De primeiro momento você pode achar que é exagero, mas o problema não está realmente nesse tipo de comportamento acontecer raramente. O problema está na frequência e nas proporções que elas assumem.

Tudo está no excesso de poder

O relacionamento abusivo tem origem no excesso, segundo a Psicóloga Raquel Silva Barreto. O excesso de poder é a principal “arma” que alguém pode usar para poder exercer domínio sobre o outro. Esse domínio pode proporcionar uma falsa sensação de estabilidade, fazendo com que a relação se mantenha no padrão escolhido pelo “mais forte”.

Há uma tendência de que os comportamento comecem por um nível mais leve até que a “vítima” ganhe confiança e o domínio consiga se estabelecer com maior frequência, até que ela se acostume.

Existem diversos gatilhos para que a vítima não consiga perceber que está sofrendo um relacionamento abusivo e que muito menos consiga se desligar dele por conta de uma série de fatores que vão ser listados abaixo.

  • Emocionais: a vítima se sente culpada pelo abuso e sentimentalmente ligada ao parceiro.
  • Sociais: Possibilidade da vítima ter sido isolada do convívio normal entre família e amigos. Medo de falar.
  • Econômicas: Dependência do parceiro para resolução de questões financeiras ou parceiros que controlam a vida e dinheiro sem deixar espaço para autonomia.
  • Burocráticas e legais: Descrença na justiça e medidas cabíveis para resolver o caso. Medo de retaliação pela acusação e sentir falta de proteção.

 

Como reconhecer que se está em um relacionamento abusivo?

Não é fácil reconhecer que se está em um relacionamento amoroso ou de amizade, principalmente por conta do apelo emocional que existirá que te impossibilite de ver tudo com mais clareza.

O parceiro que submete o outro a um relacionamento abusivo sempre vai buscar uma forma de mostrar que o problema não está na maior parte do tempo nele, mas sim no outro parceiro.

O ciúmes é uma das principais chaves para se reconhecer que se está nesse tipo de relacionamento. Uma roupa mais justa ou decotada ou então um simples gesto para cumprimentar uma pessoa podem ser o suficiente para gerar uma cena.

Você pode acabar sendo culpado por não dar nunca o que o outro parceiro exige de você. E é muito provável que por gostar você passe a se sentir responsável por toda a situação. E não é.

E não apenas o ciúmes vão servir para ser o ponto principal do relacionamento abusivo, mas a própria afirmação pessoal. Você já sentiu que você poderia estar dando “mais certo” em algo na sua vida e o seu parceiro buscou uma forma de diminuir isso? Pois é. Isso também é relacionamento abusivo.

Os elogios começam a ser raros. Existem mais quando vocês dois não estão em pé de igualdade. A outra pessoa é superior a você e isso nem precisa ser questionado. Você pode ser bom no que faz, mas jamais será como o outro lado.

Esses são alguns dos exemplos mais comuns para reconhecer um relacionamento abusivo. E falaremos agora quando você se identifica como causador desse tipo de relação.

 

E quando você proporciona esse tipo de relacionamento?

Estar de frente ao espelho entendendo o que pode estar acontecendo não é uma das tarefas mais fáceis quando se ocupa o papel de vítima, mas ainda é intenso quando se percebe que se é o causador.

Não queremos aceitar. Esperamos que isso possa ser uma brincadeira, nem que seja uma brincadeira de muito mau gosto. Ignoramos, pois sim… Vale mais a pena continuar e acreditar em si principalmente.

Porém… E quando as suas lágrimas se tornam as do outro? É quando quase não se há motivos para comemorar entre ambos? Tudo é motivo de discussão. Tudo é motivo de conflito é algo precisa ser feito.

A mesma sensação de que algo está fora do lugar vai te atormentar por onde você for e passar. Não é o fim. Não precisa ser mais assim, mas é necessário dar o primeiro passo é aceitar que você está prejudicando sim pessoas, mas principalmente está machucando a si mesmo.

Infelizmente ainda há uma imagem muito errada sendo disseminada que procurar um psicólogo é coisa de “maluco”. Ainda bem que hoje essa imagem ainda está sendo melhor trabalhada, mas sim. A psicologia é uma das melhores formas para você buscar entender suas raízes, melhorar suas ações e ser uma pessoa que consegue aprender com os próprios erros.

Somos capazes de aprender se soubermos dar o braço a torcer que chegou a hora. Que podemos nos curar se tentarmos e acreditarmos que é possível.

Há cura para um relacionamento abusivo?

Depois de tanto que se foi falado sobre relacionamento abusivo, é comum que as pessoas queiram saber se existe jeito para o antigo relacionamento, afinal, não estamos aqui para dizer que mesmo com uma questão crônica não exista amor entre duas pessoas.

A cura para um relacionamento abusivo pode acontecer sim, mas necessita de muita maturidade de ambas as partes. Existe um longo processo a ser percorrido onde duas pessoas precisam se curar, entender onde implica o direito e o respeito do outro.

Mas apenas o tempo vai dizer o que cada um pôde fazer para poder ultrapassar essa etapa na vida e recomeçar. Vai de cada um e como cada um está disposto a dar o melhor de si para não cometer os mesmos erros do passado.

O tempo agora, porém, é de continuar a olhar para si, aprendendo de que estar em tranquilidade consigo e respeitando a si e seus processos é o principal fundamento para a vida a dois saudável.

O relacionamento abusivo precisa ser tratado com cautela, zelo e entendimento com a mente e coração humanos. Todas as partes devem ser acompanhadas e entendidas para serem instruídas e não levarem suas feridas a frente e com novos relacionamentos.

 

Yami Couto

Escritora, internacionalista e taróloga de horas vagas

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